terça-feira, 23 de maio de 2017

Um

Uma nova vida...


Tânia Gama, a autora de Um e da sua continuação, recentemente publicada, Dois, nasceu em 1996, tendo apenas 21 anos. É de louvar que alguém tão novo já tenha dois livros publicados em Portugal, não é algo que se veja todos os dias.

Gostaria de agradecer à Chiado Editora por me terem cedido um exemplar de Um, de Tânia Gama, de forma tão gentil. 



Em Um encontramos uma história aparentemente parecida a muitas outras e, ao mesmo tempo, irreverente e nunca antes vista. Talvez comece com algo que já estamos habituados a ver, mas o desenrolar dos acontecimentos surpreende pela dimensão inesperada que toma ao longo do livro.

Aphrodite era uma rapariga comum. Bem, comum talvez não seja a forma certa de a descrever. Tinha memória fotográfica e era muito inteligente, ao contrário do seu irmão gémeo, Apollo. 

Um dia, ao sair de casa é confrontada com uma figura desconhecida, um homem tatuado que afirma esperar mais de alguém tão importante. A jovem não percebe o que é que ele quer dizer com tais palavras, pelo menos, não naquele momento.

Ao acordar, é-lhe dito que é uma renascida, um vampiro recém-criado. É Gabriel quem lhe dá a notícia. Este rapaz está encarregue de a treinar na sua adaptação ao mundo dos vampiros.

Tendo uma aprendizagem extremamente rápida, Aphrodite percebe que o ataque que sofreu não era suposto transformá-la, mas sim matá-la. Isto, devido a um segredo escondido algures no seu passado.

Agora, esta rapariga vê-se dividida entre o seu novo mundo, a que sente pertencer, e a sua família, o mundo onde sempre se sentiu deslocada.

Devo frisar que gostei imenso do título desta obra, é incrível como algo tão simples pode chamar tanto a atenção. Talvez por isso mesmo, por ser muito simples, nos deixe a pensar sobre o que poderá estar escondido atrás da simplicidade.

A história não me convenceu nas primeiras páginas, pensei mesmo que se tratava de um cliché dos mais comuns que se pode encontrar, no entanto, houve uma reviravolta enorme, a ação tomou um rumo nunca antes visto, deixando-me com imensa vontade de ler o próximo volume.

Achei que as personagens precisavam de ser melhor trabalhadas. Apenas temos acesso ao pensamento de Aphrodite, a personagem principal, no entanto, a sua personalidade não foi tão aprofundada quanto eu esperava. 

Quanto ao diálogo, este é abundante, dando um caráter leve à obra. Penso que, mais uma vez, poderia ser melhor trabalhado. Faltam aquelas informações acerca da postura das personagens, os tons de voz... Aqueles sinais que transformam uma ideia numa personagem viva e animada de sentimentos.

Por vezes, essas mesmas personagens, pela falta de expressão, tornam-se um pouco plásticas, inanimadas... Como se as personagens estivessem constantemente a falar ao telemóvel com o leitor, de maneira que ele tenha apenas acesso às suas falas e não à forma como se expressam e como se sentem.

O pior aspeto neste livro é, sem dúvida, a falta de revisão. Encontramos erros de toda a espécie, desde ortográficos a sintáticos. O tipo de escrita não me agradou, sendo apenas compensado pelo conteúdo da história. Inúmeras repetições de palavras na mesma frase tornavam, por vezes, a sua leitura difícil. 

Isto é, realmente, algo que me incomodou imenso ao ler o livro, não se tratavam apenas de gralhas, pois essas acontecem a todos, mesmos aos melhores, tratavam-se de erros graves, na minha opinião. Acontecia que, na mesma página, uma palavra aparecia escrita de duas formas. Parece algo derivado de falta de cuidado ou atenção e não necessariamente de incorreção linguistica, o que é uma pena, uma vez que a revisão de alguns aspetos causaria um incremento enorme na qualidade da obra.

Assim, espero que o segundo volume esteja um pouco melhor nessa vertente, já que a história promete surpreender pela positiva!

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