sábado, 15 de abril de 2017

Quando Perdes Tudo não tens Pressa de ir a Lado Nenhum

Um romance de pôr os cabelos em pé...


Antes de mais, quero agradecer à editora Guerra e Paz por me ter cedido um exemplar deste romance. Não conhecia a autora, mas posso dizer que não fiquei decepcionada com a leitura da sua primeira obra, uma ótima estreia!

Quando Perdes Tudo não tens Pressa de ir a Lado Nenhum é o primeiro romance de Dulce Garcia, jornalista desde 1991. É fundadora da revista Sábado, onde ainda trabalha, tendo colaborado com imensas revistas e jornais ao longo da sua carreira.


Então, este livro conta-nos a história de uma mulher - Isabel - que vive num aeroporto. Sim, num aeroporto. Eu própria fiquei indignada e tive de ler de novo a frase para ter a certeza de não ter lido mal. Bem, esta mulher espera por algo, não sabemos muito bem o quê, talvez uma pessoa...

Num primeiro e longo capítulo é-nos apresentada essa mesma mulher, Isabel, a personagem principal, bem como a vida que leva nos dias que correm. Ficamos a conhecer os seus amigos, as suas rotinas e alguns pormenores acerca do seu passado. É como que uma preparação para a explicação que virá a seguir.

Acompanhamos a sua história ao longo de diversos Flashbacks a várias épocas distintas: a sua infância, adolescência, maioridade e um passado muito recente. Tudo isto intercalado com o presente e ainda outra vida: a de Afonso.

Depois do longo capítulo inicial, somos presenteados com breves capítulos, de duas a três páginas. Estes vão intercalando a vida de Isabel e Afonso, recorrendo à utilização de pronomes. Se no inicio do capítulo está escrito Ela, trata-se do ponto de vista de Isabel, se estiver escrito Ele, do de Afonso.

Isabel tinha um casamento estável e feliz, pelo menos até conhecer Afonso, também ele casado e com um filho. Estas duas almas comprometidas apaixonam-se loucamente. Estavam dispostos a fazer tudo um pelo outro. Até onde conseguiriam chegar? Quanta dor e engano poderiam aguentar?

Através da narração do romance destes dois, a partir do ponto de vista de ambos, vamos ficar a conhecer o porquê de Isabel se ter refugiado no Aeroporto e o motivo da sua espera.

A personagem que mais me cativou foi Isabel (acabei por não gostar muito de Afonso, talvez pelos seus atos). Esta mulher é doida aos olhos de estranhos, uma aberração por viver num aeroporto. Mas, ao entrarmos na sua vida percebemos porque o fez. Quero dizer, ainda a acho maluca, mas não completamente insana, apenas peculiar, penso eu.

Algo que me impressionou neste livro foi o facto de, apesar de existirem flashbacks de diversas épocas no mesmo capítulo conseguirmos localizá-los no tempo sem grande dificuldade. Se estamos a falar da infância de Isabel e passamos para a sua adolescência, temos essa noção, as fronteiras estão bem delimitadas, apesar de invisíveis.

Gostei da autenticidade da obra, consigo identificar-me nas personagens, uma vez que elas refletem um pouco de todos nós. O facto de a escritora ser portuguesa ajuda a dar ao livro um caráter mais autêntico, já que reconhecemos os locais que as personagens frequentam, por exemplo o aeroporto. Quase toda a ação se passa em Lisboa, por isso sinto uma certa proximidade ao romance, é o nosso país. Reconhecemos certos locais, como a vila onde Isabel cresceu: Vila Chã.


Achei interessante quando as personagens, tanto Isabel como Afonso, falam para o leitor. Estão a contar como se sentem ou algo que fizeram e sentem a necessidade de se dirigir ao leitor e explicar-se/justificar-se. Tudo isto contribui para aquela autenticidade que já referi.


O título fascina por si só - Quando Perdes Tudo não tens Pressa de ir a Lado Nenhum. É exatamente assim que Isabel se sente. Conseguimos sentir a sua dor em cada palavra, cada frase, como se lhe tivessem tirado o chão de debaixo dos pés. 

Para além do conteúdo, este livro tem alguns aspetos curiosos: a própria capa, que nos diz muito e a primeira página, que vos mostro a seguir. Achei que estas palavras dão um toque extraordinário à obra:



Assim, apreciei imenso a leitura desta obra e, mais uma vez, agradeço à editora por me ter, generosamente, cedido este exemplar.


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