terça-feira, 14 de março de 2017

"Gritos do Passado"

Mistério atrás de mistério...

Gritos do Passado, o segundo romance policial da coleção intitulada “Fjällbacka series”, da autora Camilla Läckberg, superou largamente as minhas expectativas. 


Começando com uma criança a brincar, clandestinamente, aos cavaleiros nas rochas de uma praia em Fjällbacka, esta história toma um rumo avassalador quando essa mesma criança se depara com uma mulher nua. Percebendo que está morta, o menino corre até casa para avisar os pais, que dormiam descansadamente sem darem pela sua saída. 


Após a chegada da policia, os técnicos forenses dão conta da existência de mais dois esqueletos por baixo do corpo recente da jovem mulher. Patrick Hedström, o nosso herói da policia de Tanumshede, fica encarregue do caso e de fazer justiça pelas três vítimas. Análises aos cadáveres revelam que as ossadas eram antigas e já tinham estado enterradas anteriormente.

A procura pela identidade da vítima mais recente é atrapalhada por Ernst, um policia ocioso, não reporta o desaparecimento de uma turista alemã. Resolvido esse impasse, a identidade dos dois esqueletos é descoberta. Mesmo sem provas, tudo indica que se tratem dos restos mortais de duas jovens desaparecidas no verão de 1979, vinte anos antes. 

Como estariam estes homicídios ligados? Todas as vitimas apresentavam o mesmo tipo de ferimentos: fraturas e cortes em todo o corpo. Que espécie de pessoa seria capaz de agir com tal crueldade? Era a questão que pairava no ar na vila costeira de Fjällbacka.

Todos estes acontecimentos desenterram dramas familiares e acusações antigas. O principal suspeito do rapto das duas jovens em 79, Johannes Hult foi indiciado pelo próprio irmão, Gabriel. Estes dois irmãos, filhos de um charlatão apelidado de "O pregador", não podiam ser mais diferentes, Johannes era carismático, vivia no limite e era amado por todos, enquanto Gabriel era calmo, silencioso e extremamente "certinho", como afirmam várias personagens.

Traição, cancro, má língua, suicídio, fé, mentira, escândalo, adultério e laços de sangue são alguns dos temas deste livro. Um retrato do que há de pior na sociedade e na própria família. 

Desavenças familiares travam a investigação policial, dando, ao mesmo tempo, as pistas necessárias à resolução do crime. 

Simultaneamente, acompanhamos o final da gravidez de Erica, a companheira de Patrick, que, por essa razão, se encontra um pouco apagada neste livro. Atormentada por amigos e familiares desagradáveis, inoportunos e aproveitadores da sua boa vontade e hospitalidade, Erica sofre com o calor e visitas indesejadas à sua casa, localizada num ambiente quase paradisíaco.


Uma história que começa com três homicídios, mas que, no final, conta com quatro e, ainda, um rapto para solucionar, parece não ter fim: mistério atrás de mistério, pista após pista, falhanço seguido de falhanço, até tudo ser resolvido por Patrick e Martin, o policia mais novo da esquadra.

Este livro está recheado de ocultismo e crenças irreais em dons divinos, mas nem assim se torna pesado ou "forçado". As personagens parecem acreditar cegamente em pressupostos do passado e contos dos já falecidos, tornando a sua tomada de consciência para a realidade extremamente abrupta. Violenta, até. Exemplo é a revelação de um pai ao filho, afirmando que tudo o que este conhecia era mentira, confluindo estes acontecimentos para um filicídio brutal, disfarçado posteriormente por um falso suicídio.

Com uma linguagem corrente e acessível, Camilla Läckberg consegue captar a minha atenção do principio ao fim com um enredo surreal e imaginativo de calibre que apenas esta autora poderia criar.

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