domingo, 9 de julho de 2017

Férias!

O The Book Chimera vai de férias!!


O blogue vai entrar de férias, mas não desanimem, em breve estarei de volta e os passatempos continuam abertos até às datas previstas. Fiquem atentos, em breve, mais surpresas virão...

sábado, 8 de julho de 2017

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Hush Hush

Um anjo caído...


Caros leitores, hoje trago-vos uma história que, sem dúvida tinha de partilhar: Hush, hush, de Becca Fitzpatrick. Esta autora sempre foi fã de livros de aventura, licenciou-se em Saúde, no entanto, rapidamente mudou de rumo e se dirigiu para as letras. Considera-se uma pessoa normal quando não está a escrever: gosta de correr, fazer compras...

Hush, hush foi o seu primeiro romance publicado e rapidamente se transformou num sucesso à escala mundial. A coleção Hush, hush já conta com quatro obras: Crescendo, Silêncio e Finale. 


No primeiro livro desta saga literária, conhecemos Nora Grey, uma rapariga normal, boa aluna, calma e, como todas as adolescentes de dezasseis anos, com uma melhor amiga irreverente, Vee.

Faziam tudo juntas, até que um dia, o treinador de Basquetebol, que lhes dava aulas de biologia, decide reformular a disposição dos alunos na sala. Vee teve de mudar de lugar e, para a cadeira ao seu lado, veio Patch, um misterioso rapaz que mal dizia uma palavra.

Nora tinha de o conhecer. Não porque quisesse, mas devido ao trabalho de casa desse dia: tinha de reunir factos autênticos acerca do seu colega de mesa. A jovem tentou, mas Patch parecia gozar com ela sempre que abria a boca.

Tentando não reprovar no trabalho, Nora quase que persegue o rapaz, ou seria o contrário? Patch sabia sempre onde ela estava e aparecia nas mais inesperadas situações.

Agora, Nora sente-se perseguida. Chega a ter um acidente de carro quando um rapaz com uma máscara de Ski a ataca. Nessa noite, refugia-se em casa de Vee, no entanto, ao acordar, vê que o carro está em perfeitas condições. A partir daí, começa a ver coisas que talvez não existam, ou será que existem?

Elliot muda-se para a sua escola e parece interessado em tornar-se mais que seu amigo. Primeiramente, acha-o bonito e gentil, mas, por qualquer razão, não consegue tirar Patch da cabeça.

Será Nora capaz de descobrir quem a anda a atacar e, ao mesmo tempo, manter-se afastada de Patch, que pode muito bem ser o autor desses ataques? 

Adorei este livro! A história toma um ritmo alucinante à medida que vamos lendo. Começa com uma ação um pouco demorada, enquanto Patch e Nora se vão conhecendo, mas não é aborrecida. A personalidade obscura deste rapaz e a curiosidade de Nora conferem à obra um caráter deveras interessante.

Nora é uma personagem bem estruturada, gostei da forma como a autora a retrata como a típica menina bem comportada que, após alguns incidentes se torna curiosa ao ponto de espiar, enganar... Isto, também devido à presença da sua amiga Vee, uma autêntica alma livre, que faz e diz o que lhe apetece.

Patch, por outro lado, primeiramente dá-nos uma imagem um pouco conturbada de si mesmo, é rude, irónico... Mas deixa-nos sempre com a sensação de que há algo mais atrás dessa faceta dura. Mais à frente conseguimos detetar nele dimensões que, ao longo do livro pensávamos não existirem. É uma personagem que evolui na história, retirando o caráter demorado que previamente referi.

O facto de o prólogo nos dar algumas informações acerca de um anjo caído e do seu servo permite-nos tirar ilações acerca do que se poderá vir a passar na história, mas será que estamos corretos? Becca Fitzpatrick consegue fazer uma das coisas que mais gosto num livro: deixar o leitor imaginar. Deixa de ser apenas uma história e passa a fazer parte de nós, a seguir o rumo que queremos, pelo menos até descobrirmos a verdade, que nos surpreende ainda mais.

Por vezes, senti que algumas das atitudes das personagens eram um pouco rebuscadas, quer dizer, nenhum aluno de liceu normal faria tais coisas, no entanto, com o decorrer da ação, ficamos a perceber que talvez nem tenham acontecido ou, se aconteceram, terá sido dessa maneira? Tudo culmina para uma revelação surpreendente no final do livro. Como é óbvio, não vos posso contar, mas digo-vos que vale a pena ler para descobrir.

O aspeto que mais gostei foi a intensidade da relação de Nora e Patch. É, primeiramente um pouco hostil, repleta de ironia e provocações mútuas, embora maioritariamente vindas de Patch. É daqueles livros que nos faz desejar estar lá dentro e viver a vida de uma das personagens, uma vez que conseguimos, desde o início, perceber quais delas estão destinadas à grandeza.

Citação do Dia - 07/07/17

"As virtudes que se ostentam são vãs e falsas virtudes."

Jacques Bossuet

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Citação do Dia - 06/07/17

"A diferença que vai de ti aos outros, é que quando os outros morrerem, o universo continua."

Vergílio Ferreira

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Sou o Número Quatro - Recapturar o Passado!

Três Planetas, nove crianças...

Hoje trago-vos um presente do passado! É realmente fantástico como algumas obras nos fazer querer relê-las. A vítima desta vez foi Sou o Número Quatro, de Pittacus Lore, o primeiro livro da série Os Legados de Lorien.


"Pittacus Lore é um pseudónimo usado por James Frey e Jobie Hughes para escrever esta série. Pittacus Lore aparece no primeiro livro da série, Eu Sou o Número Quatro, como um ancião a quem foi confiada a história dos nove lorianos."

Daniel Jones parecia um rapaz normal. Vivia na Florida, onde tempo era sempre agradável. Encontrava-se uma festa, quando uma terceira cicatriz lhe aparece na perna, começando brilhar. Todos seus "amigos" ficam abismados e Daniel sabe o que tem a fazer.

Foge nadando e vai ter com Henri, o seu Cêpan, que já fez as malas para partirem. Têm como destino Paradise, Ohio, e produzem novas identidades. Agora, Daniel chama-se John Smith.


Acontece que John não é um rapaz normal. É um extraterrestre, um de nove que vieram para a Terra após destruição seu planeta, Lorien, por seres malvados, Mogadorianos, do planeta Mogadore. 

Cada um desses novos jovens tem consigo um Cêpan, um guardião que os ajuda a manterem-se escondidos e a protegerem-se contra quem os quer eliminar.

John é o número quatro, os primeiros três estão mortos, ele é o seguinte. Todos Lorianos na Terra têm, sobre eles, um encantamento: só podem ser mortos por ordem, assim, John sabe que é o próximo.

Ele sabe que pode ter de fugir de Paradise a qualquer momento mas não consegue resistir a apaixonar-se por Sarah Hart e a fazer de Sam Good, um excêntrico rapaz obcecado por extraterrestes, o seu melhor amigo.

Agora, John está dividido entre a sobrevivência e amor. Será capaz de fazer a escolha certa? 

Já é segunda vez que que leio este livro, mas é como se fosse a primeira. Encontrei vertentes que não tinha reparado antes, o que é sempre bom. Ainda mais se o livro for bom, o que é o caso.

A linguagem é simples e cativante, sempre do ponto de vista de John, o que nos permite compreender os sentimentos dessa personagem, desde a sua dor quase constante ao inevitável amor por Sarah. 

As descrições do espaço não são aborrecidas, mas são completas o suficiente para nos fazer perceber onde se encontram as personagens. Gostei da forma como as emoções se emparelham com o cenário. Quando a dúvida e o medo de se abatem sobre John, também o cenário parece escurecer e tornar-se mais sombrio. 

Por vezes, gostaria de ver um pouco mais de Sam e Henri, talvez por estarmos sempre na mente de John não tenhamos uma visão ampla dos que o rodeiam. Queria perceber o que os move, as razões para suas ações.

É incrível como o Pittacus Lore consegue criar não só um único mundo, mas três. Temos acesso às realidaDes de Mogadore, Lorien e da Terra. Esses dois planetas que não o nosso poderiam muito bem, com base nas suas descrições existir, o que é, sem dúvida, um ponto a favor da verosimilhança da obra.

Agora, tenho imensa vontade de saber o que acontece esses seis jovens. A história cativou-me de forma excecional, incentivando-me a reler a sua continuação: O Poder de Seis.

Citação do Dia - 05/07/17

"Há que endurecer-se mas sem jamais perder a ternura."

Antonio Guevara

terça-feira, 4 de julho de 2017

Citação do Dia - 04/07/17

"As coisas que sabemos melhor são as coisas que não nos ensinaram."

Luc de Clapiers Vauvenargues

segunda-feira, 3 de julho de 2017

13 Minutos

De tirar a respiração...


Natasha Howland - Tasha ou Tash - esteve morta durante treze minutos. Numa manhã, enquanto passeava o tolo do seu cão, Jamie - um professor de música - vê algo de estranho no rio, um corpo. Era uma rapariga ainda jovem, talvez adolescente. Estava fria, tinha os lábios azuis. Estava morta.



Durante treze minutos, os paramédicos tentaram reanimá-la. Conseguiram. Agora Natasha via o numero 13 em todo o lado: treze degraus, treze folhas na planta da sua psiquiatra, treze minutos...

Mas esta não é apenas a história de Tasha e da sua experiência de quase morte. Acompanhamos, paralelamente, Rebecca - Becca -, uma rapariga rebelde, mas mais próxima da normalidade do que Natasha. Outrora, estas duas jovens foram melhores amigas, no entanto, cresceram e afastaram-se. 

Agora, Natasha é a líder das Barbies, o grupo de raparigas mais populares da sua escola. Hayley e Jenny são as suas mais fieis seguidoras. Becca está no fundo da pirâmide social, juntamente com Hannah, a sua única amiga.

Depois do acidente, Tasha não se recorda do que aconteceu e sente a necessidade de se reaproximar de Becca para recordar o que aconteceu. Vamos acompanhando os seu pensamentos mais íntimos pelas páginas do seu diário.

As Barbies, Jenny e Hailey, parecem saber mais acerca do afogamento de Natasha do que aparentam. Trocam mensagens incriminatórias e desejam a morte à sua suposta amiga, que mais esconderão?

A maneira como este enredo se desenrola não é, de todo, comum. Não existe uma narrativa contínua, vamos sendo apresentados a diversos documentos e perspetivas, desde excertos do diário de Natasha, de consultas com a sua psiquiatra, de relatórios policiais até conversas de Jenny e Hayley por mensagem.A diversidade de textos que encontramos confere ao livro um caráter extremamente irreverente e inovador. 

Por vezes foi-me difícil sentir empatia por algumas das personagens, talvez por aparentarem ser tão desprezíveis. Por outro lado, este é um livro que deixa as emoções à flor da pele: sentimos raiva, pena e até ódio por certas atitudes e personagens

Becca foi a personagem que mais emoções despertou. Não a que mais odiei, nem a que mais gostei, aquela que mais sentimentos contraditórios causou. Por vezes é ingénua, outras perspicaz. No entanto, esta rapariga consegue ser deveras cruel, impingindo a mesma dor que sofreu à sua única amiga.

É incrível como a autora consegue descortinar a mente adolescente, por vezes levando ao exagero. No final conseguimos perceber esse exagero e compreendê-lo, mas até aí sentimos que falta algo, uma peça do puzzle. Por essa razão, este livro deixa-nos acordados à noite. Não por medo, mas por vontade de ler mais, de descobrir os segredos escondidos nas cabeças de adolescentes perversas e engenhosas.

Por fim, muito obrigado à Bertrand Editora pelo exemplar de 13 Minutos, de Sarah Pinborough, cuja leitura me deu tanto prazer!


Citação do Dia - 03/07/17

"Confiar nos homens é já deixar-se matar um pouco."

Louis Céline

domingo, 2 de julho de 2017

sábado, 1 de julho de 2017

Resultado - Passatempo "Insónia"

Parabéns!


Muito obrigada a todos os que participaram no passatempo. Aos que não ganharam peço que não desanimem pois, em breve, mais sorteios virão, basta ficarem atentos!

Neste passatempo estava em causa um exemplar do livro Insónia, de J. R. Johansson.




O vencedor foi escolhido através da plataforma virtual Random.org e lá foram inseridos os participantes que cumpriram todas as regras do passatempo. 

Sem mais demoras... O vencedor, ou neste caso, a vencedora é Helena (...) Bracieira. Muitos Parabéns, deverá receber um e-mail nos próximos dias para confirmação da morada de envio.

Como disse, dentro de pouco tempo, mais surpresas virão!

Citação do Dia - 01/07/17

"Toda a vez que pinto um retrato perco um amigo."

John Sargent

sexta-feira, 30 de junho de 2017

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Insónia

"Os olhos dela salvaram-lhe a vida."


Já andava a sonhar com este livro antes de a editora O castor de Papel me ceder um exemplar. Por isso, muito obrigado! Insónia é o primeiro volume da Saga Night Walkers, que promete não desapontar!



Parker Chipp não é o adolescente normal a que estamos acostumados. Nem está lá perto. Tem dezasseis anos e já não dorme há quatro. Quero dizer, todas as noites se deita e adormece, mas, em vez de descansar, entra nos sonhos da última pessoa com quem trocou contacto visual.

Não lhe basta olhar para a pessoa, ela tem de o olhar nos olhos também. Pode até parecer engraçado, mas acreditem, a vida deste rapaz não era nada fácil.

À beira da loucura pela falta de sono e aterrorizado pelos efeitos que a mesma pode ter no seu corpo, Parker tem medo de morrer. Não é propriamente por si, sabe que, se morrer, poderá descansar eternamente, mas pela sua mãe e os seus amigos, Finn e Addie. Não os quer deixar sozinhos.

Tudo muda quando, um dia, ao regressar a casa após ter feito contacto visual com Finn, quase tem um acidente de carro. Num cruzamento distrai-se e quase choca contra o carro de Megan, como ela disse que se chamava. Nessa noite, entra nos sonhos dela e, incrivelmente, consegue descansar.

Mais tarde, numa assembleia de alunos, Jeff, o capitão da sua equipa de futebol, anuncia que a equipa feminina da escola terá um novo membro, Mia, a sua nova irmã adotiva. O espanto é grande quando Parker percebe que Megan é realmente Mia e que lhe tinha mentido.

Agora, precisa de falar com ela e olhá-la no olhos para poder entrar de novo nos seus sonhos e descansar. Quando não o consegue fazer, a privação de sono é exponencialmente pior do que antes e, por isso, torna-se quase obrigatório olhar para Mia antes de adormecer.

Quando coisas estranhas começam a acontecer e tudo aponta para Parker, este perde o controlo. Não sabe o que faz nem se é ele próprio quem aterroriza Mia, mas de uma coisa tem a certeza: isso tem de parar!

A princípio fiquei um pouco reticente com o livro. A descrição de um dos sonhos de uma pessoa com quem Parker fez contacto visual - um assassino - fez-me crer quase tratava de uma daquelas obras se Suspense, quase terror. Mas não, este livro é, na sua plenitude, um Young Adult. Claro que tem elementos de Suspense e reviravoltas espetaculares, mas não deixa de ser uma história jovem e cativante.

A escrita é extremamente simples e de fácil compreensão. Como as personagens se tratam de adolescentes, o seu discurso é sempre leviano e descontraído. Gostei particularmente do modo como Parker pensava, tratava-se de uma introspeção profunda, na qual residiam dúvidas cruciais.

Algo que me surpreendeu foi o facto de pequenos pormenores e acontecimentos alheios à ação principal, se juntarem, no final, e conferirem à história uma nova realidade. Abrem uma porta para as muito procuradas respostas e para novas perguntas.

Por vezes achei que a ação se tornava um pouco repetitiva - os cenários de perseguição, por exemplo -, mas nunca aborrecida. Este é um daqueles livros que nos fazem ficar acordados de noite, não porque assustem, mas porque despertam a curiosidade e cativam de forma excepcional.

Mia é uma personagem intrigante. Consegue ser estupidamente corajosa e, outras vezes, ficar aterrorizada com a mais pequena coisa. Esse pormenor fez-me um pouco de confusão, uma vez que a rapariga conseguia, por vezes, enfrentar Parker como se não tivesse dúvidas que o poderia derrotar e outras praticamente fugia com medo.

Com um final completamente inesperado e inacreditável, Insónia dá asas a uma coleção que parece, sem dúvida, não querer desapontar! Estou ansiosa para que os volumes seguintes sejam publicados!


Citação do Dia - 29/06/17

"O silêncio é o elemento no qual se formam as grandes coisas."

Maurice Maeterlinck

quarta-feira, 28 de junho de 2017

terça-feira, 27 de junho de 2017

A Bela e o Monstro

Para recordar...

Quem não se lembra de ver o filme A Bela e o Monstro? Penso que foi um marco na vida de todas as crianças e, agora, com a produção de um novo filme, ganhou, de novo, atenção por parte crianças e adultos.



Este tipo de histórias não são só para crianças, qualquer pessoa  de qualquer idade gosta de recordar um pouco da sua infância, outros, que nunca viram leram algo deste género, não deixam ficar encantados com a beleza desta história.

Jeanne-Marie Leprince de Beaumont Escreveu a mais conhecida versão de A Bela e o Monstro. Ao ler este livro, senti que faltava algo, talvez algumas personagens que me lembrava e que agora não apareceram. Trata-se de uma história muito simples, sem aqueles pormenores que aparecem nos filmes, por exemplo.

Isto, vim descobrir, deve-se ao facto de a versão original e, provavelmente, aquela que foi adaptado ao cinema, é da autoria de Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve. 

Bem, relativamente a história não há muito que vos possa contar. Sabem que, sendo um livro tão pequeno(pelo menos nesta versão), qualquer informação pode ser um grande Spoiler.

Bela é uma rapariga simples, muito bonita e amável. Em tudo difere das suas irmãs, completamente cínicas, pretensiosas, mimadas e, digamos, feias. Tinha também três irmãos que a adoravam. Provinham todos de uma família rica, o seu pai era comerciante e, quando, um dia, parte para tratar de um negócio, as filhas pedem-lhe imensos acessórios de moda, bugigangas desnecessárias, tudo aquilo que uma pessoa fútil poderia querer. A pequena bela apenas a pede uma rosa.

O comerciante, enfrenta problemas durante a viagem, perde-se e encontra um castelo aparentemente abandonado. No entanto, a mesa está posta para ele comer, há comida para o cavalo, há uma cama para ele dormir. Por tudo, agradece ao misterioso anfitrião. 

A saída, encontra um canteiro de rosas. Lembra-se da promessa que fez a Bela e colhe uma flor para lhe dar. Nesse momento, aparece um monstro, que se sente ofendido pelo roubo da rosa. Diz ao velho homem que o tornará seu prisioneiro. A ele, ou à filha a quem rosa era destinada.

Voltando a sua casa para dar a notícia à família, Bela não aceita que o pai seja preso pelo seu pedido. Decide ir ao castelo do monstro para se tornar sua prisioneira. A partir daqui acho que não vos devo contar mais. Penso que todos, em parte, sabem o que acontece no final. No entanto não deixa de ser uma história linda para se ler em qualquer altura da vida.

Como devem imaginar, sendo este um livro para crianças, a linguagem é muito simples, onde predomina o diálogo e, apesar do que possam pensar, as personagens tratam-se na terceira pessoa, talvez pela época em que a história se está inserida. 

É um ótimo conto, no entanto, como já referi, senti que faltava algo, não há nenhuma referência aos vários objetos encantados, que na realidade seriam os criados do castelo que estavam enfeitiçados. A refeição simplesmente aparece na mesa, a cama simplesmente aparece feita. Nem sequer temos acesso a uma pequena visão do Chip, aquela pequena chávena lascada, tão famosa pela sua importância neste conto, bem não neste, mas, talvez, na sua versão alargada.

Apesar de tudo, esta obra transmite valores intemporais: a bondade, o altruísmo, o amor que não é baseado nas aparências, a importância da educação, algo completamente desprezado na época, pelo menos numa mulher.

Assim, recomendo vivamente a leitura deste, ou de outros livros parecidos, uma viagem à juventude e a contos escritos noutras épocas, mas que muito têm em comum com a nossa.

Citação do Dia - 27/06/17

"Nunca se pode concordar em rastejar, quando se sente ímpeto de voar."

Helen Keller

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Citação do Dia - 26/06/17

"É tão honesto ser vaidoso consigo mesmo, como é ridículo sê-lo com os outros."


François La Rochefoucauld

sábado, 24 de junho de 2017

sexta-feira, 23 de junho de 2017

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Dois

A grande batalha...


Aphrodite e Gabriel estão juntos e apaixonados. Mas o mundo não é como eles querem e a vida não é fácil. Veem-se no meio de uma guerra, sem nunca saberem quando será dado o primeiro tiro se conseguirão sobreviver ao que se aproxima.



Estando hospedados no Palácio da Ordem, governo dos vampiros, o casal sofre com os imensos atentados que o seu amor tem sofrido.  Por Gabriel ser o instrutor de Aphrodite, não deveriam ter-se apaixonado e, por essa razão, têm de enfrentar o castigo. No entanto, os chefes da Ordem pretendem fazer deles um exemplo, para que nunca mais volte acontecer algo desse género.

Afrodite não tem apenas que se preocupar com uma guerra, mas também tem de manter Gabriel vivo. Robin, um dos Chefes da Ordem que, desde o início, aparenta gostar de Aphrodite, parece obcecado.  Foi visto a espreitar pela sua janela várias vezes e, agora, chega com uma proposta que a jovem não pode recusar: se ela terminasse a relação com Gabriel, ele seria poupado e o seu castigo atenuado.

A rapariga sabia o que tinha de fazer. Embora lhe custasse imenso, preferia ser infeliz a ver Gabriel ser morto apenas por se amarem. Assim, vê-se obrigada a ceder à chantagem de Robin, sofrendo como pensou nunca vir a sofrer.

Apollo, irmão de Aphrodite, transformado no final de Um, o primeiro volume da saga Anjos e Deuses, está, agora, a receber treino. Não há tempo para o ensinar a ser um guerreiro, irá apenas receber o treino básico sobre como ser vampiro, que também Aphrodite recebeu. No entanto, Robin, para irritar Aphrodite, decreta que o treino de Apollo não poderá ser terminado uma vez que a guerra está próxima.

Conseguirão os apoiantes da Ordem vencer a batalha e ganhar ao Núcleo? Não era apenas a vida dos vampiros que estava em causa, mas também a dos humanos, uma vez que o Núcleo pretendia escravizá-los e matar todos os que se opusessem.

Tal como aconteceu com Um, o primeiro volume desta coleção, Dois surpreendeu pela história e desiludiu pela escrita.

Impressionou-me o facto de a ação principal estar praticamente parada durante todo o livro e, mesmo assim, continuar a prender o leitor. A guerra iminente, durante a maior parte do livro, não passa mesmo disso, uma iminência. É como se este segundo volume se focasse mais na vivência diária das personagens do que na ação principal em si. O que não desgostei, devo dizer.

Fiquei completamente agarrada ao romance de Gabriel e Aphrodite e a todos aqueles que o pretendiam destruir, que não eram poucos. Gostaria de ter visto um pouco mais de Gabriel, a sua personagem é sempre vista pelos olhos dos outros e nunca ficamos a saber o que sente além daquilo que exterioriza.

A personagem que mais me surpreendeu, e não pela positiva, foi Apollo, o irmão gémeo de Aphrodite. Este rapaz nunca foi caracterizado como inteligente, mas nesta obra a sua estupidez e ingenuidade atingem níveis astronómicos. Deixa-se levar pelo inimigo, virando-se contra todos os que o querem bem e acreditando que a própria irmã o traiu, mesmo quando esta só pensa no seu bem.

Custa-me imenso ler um livro com ótimo potencial e uma boa história, mas com erros ortográficos. Há muitos erros neste livro, tornando, por vezes, a sua leitura complicada. Por exemplo, é comum encontrar-mos expressões do género: "Fiz todo o que podia", ou "o meu puder é". Às vezes tive mesmo que voltar atrás e ler novamente para conseguir compreender. 

Por outro lado, também ocorrem discrepâncias de género, número e sujeito. Muda o capitulo e passamos a ter a visão de Apollo em vez da de Aphrodite, mas isso não dura muito. Começa com Apollo na primeira pessoa e, no meio de frases, começamos a ver o mundo como Aphrodite, notando-se estas passagens de um sujeito para outro através de não concordância de verbos e pronomes, etc... Sem dúvida, o ponto mais fraco desta obra.

Não mudei a minha opinião relativamente ao primeiro volume, a história é muito boa, tornando-se mesmo viciante, mas, de cada vez que abria o livro para ler mais um pouco, ficava desiludida com a escrita que encontrava...

No entanto, tenho de esperar pelo último volume desta trilogia, desejando que a história mantenha o nível e que a escrita evolua, aumentando substancialmente a qualidade da obra. 

Em último lugar, quero agradecer à Chiado Editora por me ter cedido este exemplar de forma tão gentil!

"Quem se atreve?"


Citação do Dia - 22/06/17

"Não há nada constante no mundo, excepto a inconstância."


Jonathan Swift

quarta-feira, 21 de junho de 2017

terça-feira, 20 de junho de 2017

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Passatempo - Parceria Saída de Emergência

Saída de Emergência

O The Book Chimera tem o prazer de anunciar parceria com a editora Saída de Emergência! Assim, trago-vos, em conjunto com esta editora, um novo passatempo! 



Desta vez envolve um livro de Robin Hobb: "O assassino do Bobo". Deixo-vos agora a sinopse e, mais abaixo, vão encontrar os passos para participarem neste passatempo.


"Tomé Texugo tem levado uma vida pacífica há anos, retirado no campo na companhia da sua amada Moli, numa vasta propriedade que lhe foi agraciada por serviços leais à coroa. Mas por detrás da sua respeitável fachada de homem de meia-idade, esconde-se um passado turbulento e de violência. Na verdade, ele é

FitzCavalaria Visionário, um bastardo real, utilizador de estranhas magias e assassino. Um homem que tudo arriscou pelo seu rei, com grandes perdas pessoais.

Até que, numa noite fatídica, um mensageiro chega com uma mensagem que irá transformar o seu mundo. O passado arranja sempre forma de se intrometer no presente, e os acontecimentos prodigiosos de que foi protagonista na companhia do seu grande amigo, o Bobo, vão voltar a enredá-lo. Se conseguirem, nada na sua vida ficará igual…"
Se quiserem um exemplar deste livro podem habilitar-se a ganhar um ao participar neste passatempo. Basta seguirem as regras! 

  • Preencher o seguinte formulário:

Este passatempo estará aberto até dia 31 de julho de 2017, sendo apenas permitida uma entrada por pessoa. Apenas poderão participar pessoas residentes em Portugal continental e ilhas. 

Devo frisar que o blogue e a Saída de Emergência não se responsabilizam pelo possível extravio do prémio na transportadora. Apenas serão sujeitos ao sorteio os participantes que cumprirem todas as regras. 

O sorteio será aleatório, utilizando a plataforma Random.org e o vencedor será contactado por e-mail para a confirmação da morada de envio do prémio.


Boa Sorte!


Citação do Dia - 19/06/17

"Ninguém pode pronunciar-se acerca da sua coragem quando nunca esteve em perigo."


François La Rochefoucauld

domingo, 18 de junho de 2017

Citação do Dia - 18/06/17

"A melhor maneira de lidar com os outros é tomá-los por aquilo que eles acham que são e deixá-los em paz."


António Lobo Antunes

sábado, 17 de junho de 2017

A Herança Perdida

Um mar de vidas...


Olá! Hoje tenho para partilhar convosco um livro chamado A Herança Perdida, da autora Katie Agnew. Este livro foi-me gentilmente cedido pela Quinta Essência, uma chancela Leya, por essa razão, deixo um enorme obrigado à editora!


Em A Herança Perdida somos apresentados à vida de Sophia Beaumont-Brown, uma jovem rapariga, que já não é assim tão jovem, estando nos seus trinta anos, mas que se comporta como se ainda fosse adolescente. As presenças habituais em festas, discotecas e clubes noturnos de renome, deixaram-na praticamente sem nada. 

Os seus pais deserdaram-na devido ao seu problema comportamental e rebeldia, estando agora a viver numa casa quase em ruínas pertencente a um amigo de um amigo. Basicamente, a sua vida era apenas assegurada pelo pouco dinheiro que os pais de Hugo, o seu melhor amigo, ainda lhe davam e que este partilhava com Sophia.

Ao mesmo tempo, acompanhamos o divórcio de Dominic Mcguire, um realizador de documentários. Este, regressando de uma viagem de trabalho ao Perú chega a uma casa vazia. Não surpreendia, a sua (ex)mulher era capaz de tudo. Agora, já nem sabia o que tinha visto nela, lembrava-se do que o atraía nos primeiros tempos, mas não percebia como se apaixonou por alguém tão frio.

De novo à família Beaumont, Tilly, avó de Sophia e uma antiga estrela de Hollywood, encontra-se às portas da morte com um cancro nos ossos. O seu último desejo era reaver as pérolas que o seu pai lhe dera no dia do seu décimo oitavo aniversário, logo a seguir ao término da Segunda Guerra Mundial. 

Vai escrevendo cartas a Sophia, contando-lhe as suas memórias até ao momento em que o pai lhe deu essa gargantilha de pérolas. A anciã pretendia, além de se reaproximar da neta, convencê-la a iniciar uma busca pelo colar outrora perdido. Sophia e Hugo mergulham nessa missão de trazer à velha senhora a alegria de ver o seu mais preciso bem antes de morrer.

É-nos apresentada, ainda, a realidade das Amas, mergulhadoras japonesas de pérolas. Estas corajosas raparigas faziam-no sem qualquer equipamento, buscando as mais belas pérolas para vender e sustentar as suas famílias.

Acima de tudo, este é um livro sobre perseverança e vontade de viver. Ao princípio não entendemos como todas estas histórias se ligam, mas é isso que nos faz ficar desejosos de ler mais um pouco e compreender.

Impressionou-me a forma como a escritora descrevia todos os cenários que fomos encontrando ao longo da obra. É de uma verosimilhança incrível e, mesmo que, por vezes, sejamos confrontados com imagens fortes (da Segunda Guerra Mundial, por exemplo), a escrita não perde essa dimensão real. 

Não sei bem como descrever, mas achei esta obra extremamente terna, talvez pelo modo de escrita ou pelo próprio enredo... Somos compelidos a sentir uma enorme empatia pelas personagens, sonhando que estamos com elas e que as queremos ajudar, uma vez que são retratadas tantas situações em que ninguém vem ao seu auxílio.

Dito isto, neste livro, estão representados o melhor e o pior de um mundo. É desde o início, introduzida uma dicotomia entre o ambiente Beaumont e o das Amas, por exemplo, levando o leitor a perceber que, por detrás de todo aquele dinheiro, a alta sociedade pode não ser tão brava e destemida como as simples aldeãs de uma vila japonesa.

Aiko Watanabe, uma milionária mulher de oitenta anos, foi, sem dúvida a minha personagem preferida neste livro. Sofreu como ninguém e, apoiando-se nos antigos provérbios que a avó lhe costumava recitar, singrou na vida, atingindo a derradeira meta, a felicidade.

A Herança Perdida impressionou pela forma como histórias de tantas vidas acabaram entrelaçadas por causa de um simples colar de pérolas. Associado a esse acessório encontramos, como já disse, o melhor e o pior da sociedade: os gananciosos e a sua febre por dinheiro, os destemidos e a sua luta pela liberdade e os conformados trabalhadores de classe média-baixa. Mostrando que ninguém sobrevive sozinho e sem ajuda, vinda ela de onde vier, esta obra ficou guardada na minha memória pelas melhores razões!

Citação do Dia - 17/06/17

"É preferível praticar o bem a prometê-lo."


Quintiliano

sexta-feira, 16 de junho de 2017

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Romeu e Julieta

Uma tragédia que nunca esqueceremos...


Romeu e Julieta é, incontestavelmente, uma daquelas histórias que todos conhecem. Mesmo sem ter lido o texto original de William Shakespeare, provavelmente já ouviram falar desta tragédia, já leram resumos ou, até, já viram adaptações ao grande ecrã, algumas mais atuais e outras fieis ao enredo original.

Ora muito bem, hoje não vos venho falar dessa versão original que, muito provavelmente nunca me atreverei a ler.  Digamos que o texto dramático não me chama muito a atenção. Assim sendo, nada melhor do que uma adaptação em prosa desta obra intemporal.


Devo agradecer, em primeiro lugar, à editora Guerra e Paz, por me ter cedido, tão gentilmente, este livro, o segundo da coleção recente "Os Livros estão Loucos" - histórias "contadas tipo aos jovens". Caso queiram conhecer mais desta coleção, já li e publiquei, aqui no blogue, a minha opinião de Robinson Crusoé, de Daniel Dafoe.

Romeu Montéquio, um jovem pertencente a uma das famílias mais influentes de Verona, encontra-se (supostamente) apaixonado por uma rapariga. Assim, os seus amigos, para o tentarem livrar da nostalgia em que Romeu se encontrava, levam-no a uma festa de máscaras em casa da família Capuleto.

Ora, a rivalidade entre estas duas famílias durava à séculos e parecia não ter fim próximo. Relutante, Romeu aceita o convite dos seus companheiros, uma vez que, usando máscara, não seria reconhecido.

Paralelamente, acompanhamos a história de Julieta Capuleto, uma jovem de catorze anos com um pretendente a noivo. Páris, um bom fidalgo próximo do Príncipe de Verona, quer a sua mão em casamento. Por essa razão ia decorrer a tal festa de máscaras que vos falei. O pai de Julieta pensava que, se Páris a cortejasse, a sua filha casaria com ele de livre vontade.

Foi nessa noite que Romeu e Julieta se encontram. Primeiramente sem saber quem eram e a que famílias pertenciam, gostam um do outro, apaixonando-se em plena festa. Romeu foi reconhecido por Tebaldo, primo de Julieta, mas este não causa um escândalo a pedido do anfitrião, uma vez que o pobre Montéquio nada de mal fez.

Este amor improvável é mais forte do que inicialmente pensavam. Pretendem casar-se e, para isso, recorrem ao Frei Lourenço, amigo de Romeu para oficializar o casamento. Resta um problema: as suas famílias odeiam-se.

Como poderiam ser felizes um com o outro se a sua relação era repudiada pelos seus parentes mais próximos? 

Mais uma vez, esta história não vem sozinha, acompanhamos também, duas amigas que nos fazem companhia ao lê-la: a Vera e a Beatriz. Vera, a mais nova, está sempre a fazer perguntas e a realçar o caráter ridículo de algumas passagens do drama de Julieta e Romeu. Por exemplo, porque quereriam os pais de uma rapariga de catorze anos que ela casasse? Beatriz, Bé, explica-lhe que eram outros tempos e que muitas raparigas com essa idade já estavam casadas e eram mães.

Enfim, o diálogo destas duas amigas está ao serviço das diferenças entre o tempo da narração e o presente, conferindo um caráter cómico à obra e demonstrando o quanto as mentalidades mudaram. Adorei o facto de, por vezes, quando aparecia uma palavra mais "Elaborada", Vera recorresse ao dicionário do seu "tablet" para descobrir o significado, partilhando-o com o leitor.

Acho que a melhor vertente deste livro e de toda esta coleção é o facto de permitir ao leitor ter acesso a clássicos da literatura, que são, em regra, de leitura complexa, simplificados. Ou seja, é uma leitura leve e agradável de uma história que não perde o encanto.

O enredo é simplesmente lindo, um amor que não nasce das aparências, uma vez que usavam máscaras quando de conheceram, que supera o ódio das famílias e que faz tudo para que dê certo. Penso que já o referi, mas não faz mal repetir: esta é uma história intemporal, a qual já ouço falar há imenso tempo, apesar de antes deste livro, nunca a ter verdadeiramente lido, e a qual iremos, certamente, continuar a ouvir falar no futuro.

Cheia de simbolismo, a história, não só deste casal, mas de todos os que o rodeiam, promete ensinar muitas lições de vida com o seu desfecho. Todos, sem exceção, virão a arrepender-se de muitas das suas ações. Leva-nos a pensar que talvez devêssemos pensar melhor nas nossas atitudes, de forma a que, no futuro, não tenhamos arrependimentos.

Sem dúvida, o que mais me encanta neste livro é o seu aspeto. As letras "loucas", as frases tortas e as imagens coloridas conferem à obra uma dimensão quase mágica, capaz de maravilhar quem se aventure a passar a página e ler só mais um bocadinho.




Citação do Dia - 15/06/17

"Não quero que as pessoas sejam muito gentis; pois isso poupa-me o trabalho de gostar delas."


Jane Austen

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Citação do Dia - 14/06/17

Os homens dizem que a vida é curta, e eu vejo que eles se esforçam para a tornar assim.


Jean Jacques Rousseau

terça-feira, 13 de junho de 2017

O Vampiro Secreto

Uma escolha difícil...


Bem, lá volto eu com um livro de L. J. Smith, autora das sagas Os Diários do Vampiro e The Secret Circle. Desta vez, trago-vos o primeiro volume da saga O Mundo da Noite (Night World).


Se estiverem interessados em conhecer mais sobre algumas das obras desta autora, podem fazê-lo aqui no blogue, onde já publiquei várias opiniões acerca dos seus livros.

O livro de que vos vou falar hoje chama-se O Vampiro Secreto. Na minha opinião, não é um título que me agrade, é quase um cliché, mas a história, sem dúvida, compensa.

Poppy, uma jovem adolescente, leva uma vida totalmente normal. Vive com a mãe, com o seu padrasto e com o seu irmão gémeo, Phillip. O seu melhor amigo, James, é uma presença constante na sua casa, quer dizer, quando não está com uma das suas imensas namoradas. 

Um dia, ao levantar-se, a dor de barriga que a tem acompanhado nos últimos tempos agrava-se ao ponto de a deixar imobilizada no chão em frente à sua família e a James. A sua mãe, preocupada, decide que a situação durou tempo demais e leva Poppy ao médico.

Lá, como é costume no consultório de um médico, não lhe dizem quais são as suspeitas do mal que a assombra, apenas a mandam fazer mais testes. Quando, depois de os fazer, ninguém lhe conta nada, Poppy entreouve o médico a contar à sua mãe que ela tem cancro no pâncreas, uma forma rara e altamente mortal.

James, que, na realidade é um vampiro, descendente de uma das mais antigas famílias do Mundo da Noite, sem saber o que fazer, recorre aos seus pais e a uma bruxa, que nada lhe podem dar para ajudar Poppy. Este vê-se, agora, num dilema: Deverá transformar Poppy em vampira e quebrar três das mais importantes regras do seu mundo - não contar a um humano acerca da existência do Mundo da noite, não transformar um humano sem autorização dos anciãos e admitir o seu amor por Poppy, uma das mais graves ofensas?

Quando confronta Poppy com esta escolha, ela não sabe o que fazer, deverá simplesmente morrer, embora não seja a sua hora? Ou deverá aceitar a proposta de James e sujeitar-se a uma transformação na qual poderá também não sobreviver? 

Posso, desde já, dizer que este livro superou largamente as minhas espetativas, talvez por não ter a mente toldada por adaptações televisivas ou cinematográficas... No entanto, penso que não foi apenas disso, a qualidade, na minha opinião, deste livro, é superior à dos outros.

A linguagem é extremamente simples, uma vez que o mundo nos é apresentado por adolescentes. Nunca somos confrontados com visões adultas, mas sempre juvenis e interessantes. Gostei do facto de todas as personagens terem o seu próprio destaque: a maior parte do livro é narrado do ponto de vista de Poppy, mas também vislumbramos as impressões de James e de Phill em diversas situações.

A personagem mais intrigante é Ash, o primo de James que vem destabilizar ainda mais a vida de Poppy e praticamente a rapta. Ash é intrigante, manipulador, matreiro... Apenas tenho pena de termos visto pouco dele. No entanto, fiquei com a sensação de que ele vai ser uma personagem constante nos próximos livros.

Poppy é, no inicio, um pouco ingénua, mas vai aprendendo a lidar com as situações de uma forma incrível. Talvez a morte eminente a tenha feito crescer. Conseguimos ver um enorme desenvolvimento da personagem enquanto pessoa, o que é dá ao livro movimento, um caráter não estagnado.

Adorei o facto de esta escritora, autora de outras histórias com vampiros, conseguir criar um mundo novo. Tem a capacidade de se distanciar das outras realidades que criou e começar uma do zero. No Mundo da Noite os vampiros podem andar ao sol, não é benéfico, mas também não os mata, como em Os Diários do Vampiro, podem ter filhos e envelhecer até ao momento que decidem parar, apesar de ser possível transformar humanos e, esses sim, não envelhecerão mais.

Enfim, foi uma lufada de ar fresco. Apesar de tudo, talvez este seja o livro que mais gostei desta autora. É irreverente e em nada igual ao que estamos habituados!