quarta-feira, 29 de março de 2017

Citação do Dia - 29/03/17

"Um sonho que sonhes sozinho é apenas um sonho. Um sonho que sonhes em conjunto com outros é realidade."

John Lennon

terça-feira, 28 de março de 2017

Eragon - Recapturar o Passado!

O primeiro de muitos...


Eragon, o primeiro volume da saga "Herança", de Christopher Paolini, e a primeira "vítima" da rubrica Recuperar o Passado! conta-nos a história de um rapaz aparentemente normal e com uma vida pacata que estava destinado a ser algo mais.

A rubrica Recuperar o Passado! consiste repetição da leitura de livros que me marcaram. Podem ler mais sobre ela aqui. Assim, devem perceber que Eragon foi um livro importante para mim.

Christopher Paolini, autor da obra, aventurou-se no mundo da escrita desde muito cedo, escrevendo a primeira versão de Eragon aos quinze anos. Admiro-o por isso, é necessário muita inspiração para atingir tal feito em tão tenra idade.

A história começa com um jovem, abandonado pela sua mãe em casa do seu tio, a caçar na Espinha, uma cordilheira onde ninguém se atrevia a entrar, quanto mais caçar. Eragon, ao contrário de todos os outros, era bravo o suficiente para o fazer, revelando a sua coragem logo desde o início. Nessa caçada o jovem encontra uma pedra singular. Este evento muda radicalmente a sua vida, de uma maneira que ele não poderia compreender quando decidiu levá-la para casa.

Sem sucesso na caça, tentou vender a pedra, no entanto, todos se recusavam a comprá-la quando descobriam a sua origem. Mal sabia Eragon que a pedra era, na realidade, um ovo de dragão. Quando este chocou, deixou-lhe uma marca prateada na mão, Gedwëy Ignasia, a marca dos cavaleiros. Este jovem, aparentemente insignificante, tornou-se, assim, o único cavaleiro de dragão vivo além do rei tirano Galbatorix.

Chegando rumores de um novo cavaleiro aos ouvidos do rei, este manda os Raz'ac investigar o vale remoto onde Eragon passou a maior parte da sua vida. Nessa busca por respostas, os enviados do rei matam o tio de Eragon e destroem a sua casa, obrigando-o a partir com Saphira, o seu dragão, e Brom, o contador de histórias da aldeia.

Brom, revelando não ser apenas um mero contador de histórias protege e ensina Eragon a tornar-se um verdadeiro cavaleiro de dragão e prepara-o para uma demanda por Alagaësia, na qual este teria de tomar decisões que não afetariam só a sua vida, mas todo o Império.

O jovem vê-se, assim, prisioneiro de uma responsabilidade que não escolheu, tendo apenas três opções: alinhar-se com o rei tirano, morrer ou lutar. Seria Eragon tão nobre quanto pensava? Teria força para resistir?

Este livro é, na minha opinião, uma obra prima. O autor consegue captar a minha atenção de uma maneira avassaladora, de forma a desejar ler só mais um pouco. As palavras são cativantes ao ponto de me compelirem a parar o que estou a fazer para poder avançar mais umas páginas.

Com descrições longas mas leves, conseguimos ter uma imagem perfeita de cada local onde as personagens se encontram. Após ler um trecho descritivo consigo lembrar-me dos pormenores como se tivesse estado nesse mesmo local. Isso, sem dúvida, torna a leitura deste livro emocionante e aliciante.

Batalhas, inimigos, alianças improváveis e traições são apenas alguns dos obstáculos que Eragon tem de enfrentar. Estes deixam-nos sempre amarrados ao enredo, desejando, por um lado, avançar na história para perceber o final, mas por outro, parar ali para vivermos as emoções das personagens na nossa mente por mais algum tempo.

A personagem que mais me marcou foi sem dúvida Eragon, o protagonista, mas não me posso esquecer de Brom, o contador de histórias, que revela ser muito mais que isso. Este, ocultando sempre a sua identidade é a face da consciência e sabedoria ao longo do livro.

Outro pormenor, não menos importante, é o valor dado aos dragões e os traços humanos que lhes são atribuidos de forma a que possamos, não só identificar-nos com o cavaleiro, mas também com o dragão, que revela, muitas vezes, ser mais prudente e astuto que os humanos.

Nunca pensei que reler uma obra me deixasse tão emocionada como da primeira vez que a li. Por vezes havia pormenores dos quais me tinha esquecido ou até baralhado e, ao repetir a leitura, deixei-me, uma vez mais, ser cativada pelo enredo fantástico que encontramos, removendo qualquer réstia de dúvida da minha mente.

Assim, este livro deixou-me com aquela amargura mental, na qual desejo continuar a ler embora já tenha terminado o livro. Dessa forma, estou desejosa para reler Eldest, o segundo volume da saga Herança e aventurar-me nas decisões do cavaleiro.

Citação do Dia - 28/03/17

"As virtudes perdem-se no interesse como as águas do rio se perdem no mar."

François La Rochefoucauld

segunda-feira, 27 de março de 2017

domingo, 26 de março de 2017

Recapturar o Passado!

Nem tudo deve ser deixado para trás...


Sabem aquela expressão que diz: "O que está no passado deve ficar no passado" ou "O que lá vai, lá vai..."? Estou aqui para vos dizer que não é completamente verdade!

Claro que existem coisas que mais vale esquecer, mas nem tudo deve ser "fechado a sete chaves" na nossa mente. Hoje, decidi reabrir uma porta para o passado e atravessá-la. 

Vou reler uma coleção de livros! Faz já alguns anos desde que li a coleção de Christopher Paolini, cujo primeiro volume é Eragon.


Esta coletânea foi um dos pontos altos da minha vida enquanto leitora, se é que posso intitular-me assim. Está repleta de fantasia, bem, mal e o equilibro entre os dois. Constituida por quatro volumes, Eragon, Eldest, Brisingr Herança, esta sequência de narrativas ensinou-me umas boas lições de vida... Claro que não vos posso contar tudo agora, mas visitem o blog se procurarem saber mais sobre estas obras e a minha opinião acerca delas. Não deverá demorar muito...


Como nem todo o passado deve permanecer passado, repetirei a leitura desta coleção sem arrependimentos porque afirmo, com certeza, que o seu maior defeito é ter apenas quatro livros. Mas acho que é isso que torna um livro numa obra prima: o facto de dizermos que não gostámos, simplesmente porque acabou... Oxalá houvesse uma continuação fora da minha imaginação...

Citação do Dia - 26/03/17

"Não nos podemos tornar no que precisamos de ser e continuar quem somos."

Rui Santos

sábado, 25 de março de 2017

Alice no País das Maravilhas - Um Tiro no Escuro!

Um regresso à infância...


Alice no País das maravilhas é, sem dúvida, uma narrativa que todos conhecemos e amamos, desde a queda de Alice na toca do coelho até à vilã tirana, a Rainha de Copas.


Lewis Carroll, autor da obra, foi capaz de compilar esta fantasia durante um passeio de barco no rio Tamisa, tentando entreter as irmãs Liddell, suas amigas. Alice, a irmã do meio, que tinha 10 anos, adorou as aventuras da sua homónima ao ponto de pedir ao autor que as escrevesse. Deu-se, aí, o nascimento de uma das histórias mais famosas de sempre!

Tudo começa quando Alice, sentada na margem de um lago, observava a sua irmã a ler, pensando o que faria daquele livro algo interessante. Afinal, era apenas um livro! "E nem tinha diálogos!", pensou ela. Um coelho falante capta a sua atenção. Não por ser falante, nem por usar um colete, mas por ter um relógio. 

Alice segue-o até à sua toca, escorregando e caindo lá para dentro. A queda parecia nunca mais acabar, onde iria dar? Quando finalmente caiu, não se magoou, ficou apenas intrigada com uma chave e várias portas trancadas. Qual delas abriria a chave? Sem sorte, a chave abria a porta mais pequena, uma em que Alice não cabia...

A partir desse momento acompanhamos a inesquecível história dos bolos e das bebidas. "A garrafa não diz veneno. Se não diz veneno não me fará mal!", pensou Alice antes de beber. Encolheu, mas deixou a chave na mesa. E agora? Não chegava lá! Apareceu um bolo com "COME-ME" escrito com passas, comeu-o e aumentou de tamanho. 

Todos nós conhecemos o resto, o encontro com a rainha e com o chapeleiro, o chá das seis, os jardineiros que pintavam as rosas de vermelho para não serem decapitados... Em fim, uma série de impossibilidades possíveis no País das Maravilhas!

Lewis Carroll dá vida a um conto fantástico que ficará para sempre gravado nos nossos corações. Que nos levará a tempos felizes da infância que parece já ter terminado...


Este livro é de leitura rápida e fácil. Com uma linguagem simples, a obra leva-nos a pensar como gostaríamos de estar no País das Maravilhas com Alice. 

Por vezes confuso, devido aos "devaneios" mentais de Alice, que se encontram intercalados no texto principal, Alice no País das Maravilhas é uma obra intemporal, que, sem sombra de dúvida, veio para ficar!

A personagem que mais me intrigou foi a Rainha de Copas, uma mulher (ou carta, não sei bem o que lhe chamar, talvez os dois...)amarga, mesquinha, cruel e impaciente, que manda executar todos os que a incomodam. Nesse sentido, esperava algo diferente vindo dela, pensava que me iria deparar com uma dimensão mais pessoal. Isso não aconteceu. Não fiquei a conhecer as razões que a tornavam tão maquiavélica. Era apenas má e nada mais...

O que mais me conquistou, apesar de ser, por vezes, um ponto negativo, foram os tais "devaneios" da protagonista, as interrogações constantes acerca do modo como as coisas são e funcionam. Alice nunca parecia satisfeita, tinha sempre mais questões. Penso que é isso que torna o enredo tão interessante, o retorno à curiosidade infantil que muitos perdemos...

Alice, com as suas questões, é um pouco louca. Mas quem não é? O chapeleiro é louco; a lebre é louca, a rainha é "desvairada". Somos todos loucos à nossa maneira: uns mais que outros, mas é isso que nos torna felizes!

Resta uma questão: Estaria Alice a sonhar? Viajou mesmo até ao País das Maravilhas? Ou será tudo fruto da sua imaginação fértil?